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Certificação RTRS para cooperativas: como a soja responsável fortalece o acesso ao mercado internacional 

Criada para estabelecer critérios reconhecidos para a produção responsável e para a rastreabilidade da soja ao longo da cadeia, a certificação da Round Table on Responsible Soy (RTRS) permite estruturar evidências relacionadas a aspectos ambientais, sociais, legais e produtivos. 

Para cooperativas, esse movimento tem uma dimensão particularmente estratégica. Ao reunir diferentes produtores em uma estrutura organizada, a cooperativa pode contribuir para transformar exigências que seriam complexas quando enfrentadas individualmente em um sistema coordenado de gestão, monitoramento e melhoria contínua. 

Mais do que conquistar um certificado, portanto, a questão central é construir uma cadeia capaz de demonstrar responsabilidade de maneira verificável. 

O que é a certificação RTRS? 

A RTRS — Round Table on Responsible Soy — é uma organização global multissetorial voltada à promoção da produção, do comércio e do uso responsáveis da soja. 

Seu sistema de certificação contempla diferentes elos da cadeia e estabelece critérios que permitem avaliar práticas relacionadas à produção e à movimentação do produto certificado. 

Na produção, o padrão aborda dimensões como conformidade legal, boas práticas empresariais e agrícolas, condições responsáveis de trabalho, relacionamento com comunidades e responsabilidade ambiental. 

Na cadeia de suprimentos, a lógica se estende à rastreabilidade. 

O Padrão RTRS de Cadeia de Custódia estabelece requisitos para que organizações controlem os estoques e fluxos de materiais certificados, permitindo acompanhar a soja e seus derivados em operações de recebimento, processamento e comercialização. 

Essa distinção é importante porque produzir soja de acordo com determinados critérios e demonstrar a integridade dessa condição ao longo da cadeia são desafios relacionados, mas diferentes. 

Para que uma alegação de sustentabilidade tenha credibilidade comercial, não basta olhar exclusivamente para a propriedade rural. É necessário compreender também o percurso do produto, os controles documentais e os mecanismos utilizados para preservar a confiabilidade das informações. 

É justamente essa conexão entre produção responsável e cadeia de custódia que torna a RTRS relevante para empresas e cooperativas inseridas em cadeias internacionais. 

Por que a certificação RTRS pode ser estratégica para cooperativas? 

O comércio internacional de commodities agrícolas opera sobre uma combinação de fatores. Preço, produtividade, qualidade e eficiência logística continuam fundamentais.  

Mas compradores e empresas da cadeia também podem estabelecer requisitos relacionados à sustentabilidade e à origem das matérias-primas que adquirem.Isso significa que determinadas oportunidades comerciais passam a depender da capacidade de responder a novas perguntas. 

A produção atende aos critérios de responsabilidade esperados pelo comprador? Existem controles para demonstrá-los? A origem da soja pode ser acompanhada? As alegações de sustentabilidade possuem evidências que as sustentem? 

Para cooperativas que pretendem fornecer a empresas ou mercados que demandam soja responsável, a certificação RTRS oferece um caminho para tornar essas práticas verificáveis. 

Ela pode ser utilizada quando existe a necessidade de atender exigências de compradores, ampliar a transparência da cadeia ou buscar reconhecimento internacional das práticas adotadas. 

Certificação RTRS e acesso ao mercado internacional 

A relação entre certificação e mercado internacional deve ser compreendida com precisão. 

A RTRS não substitui requisitos legais de importação, controles sanitários, especificações técnicas do produto ou demais obrigações aplicáveis a cada destino. Sua função está relacionada à demonstração de critérios de produção responsável e, conforme o escopo adotado, à rastreabilidade da cadeia. 

Ainda assim, essa demonstração pode ser comercialmente significativa. 

Empresas internacionais que assumem compromissos de sustentabilidade precisam traduzir essas metas em decisões de abastecimento. Consequentemente, fornecedores capazes de apresentar evidências verificáveis sobre sua produção podem estar mais preparados para atender políticas corporativas de compras responsáveis. 

A própria estrutura da RTRS contempla diferentes mecanismos para movimentação e reconhecimento da soja certificada. 

No âmbito da Cadeia de Custódia, por exemplo, existem modelos como Balanço de Massa e Segregação, além de modelos opcionais aplicáveis a determinadas estruturas e objetivos comerciais. 

Há ainda requisitos específicos relacionados à soja não geneticamente modificada e mecanismos voltados a cadeias destinadas ao mercado europeu de biocombustíveis. 

Mais recentemente, a RTRS também incorporou à Cadeia de Custódia um modelo opcional de alinhamento com o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), aplicável à soja e direcionado às organizações certificadas que pretendem colocar soja ou coprodutos no mercado europeu. 

Essa evolução revela algo importante: sistemas de certificação não são estruturas estáticas. Eles evoluem conforme as demandas das cadeias globais também evoluem. 

Para cooperativas, acompanhar essa transformação significa compreender que sustentabilidade, rastreabilidade e comércio internacional estão cada vez mais interligados. 

Como a FoodChain ID pode apoiar o processo de certificação RTRS? 

Para empresas que já trabalham com análises laboratoriais, controle de qualidade, conformidade regulatória ou gestão de fornecedores, sustentabilidade representa mais uma dimensão de um desafio que já é conhecido: demonstrar conformidade por meio de evidências confiáveis. 

A FoodChain ID atua em diferentes pontos desse ecossistema, incluindo certificação e verificação, análises de alimentos, rações e OGMs, conformidade regulatória, segurança de commodities, treinamento e outras soluções voltadas à cadeia agroalimentar. 

Com experiência global em cadeias de suprimentos complexas, atuação em mais de 100 países e mais de 25 anos de certificação em sustentabilidade, a FoodChain ID combina capacidade de auditoria, conhecimento técnico e uma visão ampla das necessidades do setor agroalimentar. 

Para cooperativas, produtores, processadores e demais organizações da cadeia da soja, mais do que responder a uma exigência específica, a certificação pode integrar uma estratégia mais ampla de acesso ao mercado, transparência e gestão responsável da cadeia de suprimentos. 

Porque, em um mercado no qual sustentabilidade precisa ser comprovada, confiança não nasce apenas de uma declaração. Ela é construída sobre evidências. 

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